terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

“ENTRE O REAL E O IDEAL”


“Temos que saber que não somos aquele ideal de pessoa e que, possivelmente, não seremos nunca, porque o ideal é uma burrice coletiva”
As pessoas são, nas redes sociais, criaturas maravilhosas. A maioria é compreensiva, fiel e quase “perfeita”. Lá, a maioria dos homens respeita as mulheres e a maioria das mulheres gosta de homens inteligentes e que sejam legais e nem tão bonitos assim.
Acredito que o sucesso dessas “redes” acontece a partir da necessidade que as pessoas têm de pertencer a grupos.
Antigamente, existiam três grandes grupos dos quais as pessoas faziam parte: escola, Igreja e clube. Hoje, as pessoas estudam em quatro ou cinco escolas diferentes, raramente frequentam a algum clube e à Igreja, nem pensar. Então, como pertencer a algo já que não existem grupos aos quais pertencer? As redes sociais, com a promessa de felicidade, parecem ser a solução. Nelas, você pode participar de quantos grupos você quiser, desde os amantes da pornografia até os viciados em jogos e ninguém tem nada a ver com isso.
Claro que, nestas horas, só o ego da pessoa aparece. Ninguém coloca no perfil coisas como: “Eu tenho algum tipo de preconceito”, “Não concordo com algumas atitudes”, “Peço a Deus que aumente a minha fé”… Enfim, todo mundo é legal, divertido e todos são pessoas que nós gostaríamos de conhecer. A maioria das fotos é só de viagens e coisas legais que fazemos com os amigos ou aquelas em que o ângulo, a luz e o humor nos favorecem muitíssimo, muito mais do que pessoalmente. É uma verdadeira seleção de “estrelas”. Todos querem parecer lindos, ricos e sexys e é aí que começa o perigo: quando queremos parecer e nem ao menos somos.
As redes sociais são o ideal de cada um e não o real. Nelas, estão estampadas as fotos da pessoa que gostaríamos de ser, das coisas que gostaríamos de ter, das pessoas que gostaríamos de conhecer e da vida que gostaríamos de levar, se não fosse a vida real, ou seja, é a maior fonte de pessoas controladoras do planeta, porque tudo lá é controlável: seu humor, se você é ou não é sexy, se está ou não procurando um relacionamento e de que tipo… lá você pode ser atraente, mesmo muito acima do peso; Pode ser inteligente, mesmo sem ter concluído a segunda série, enfim, pode ser no virtual, o que não pode ser no real.
O problema não está no que podemos ou não ser, e sim, de sermos o que não somos. Nem para todo mundo ser belo é importante, mas, para uma modelo, é muito importante. Ser ótimo em matemática é excelente para um engenheiro, mas completamente inútil para um médico, por exemplo (pelo menos enquanto profissão). Então, por que ainda corremos atrás do que não somos? Por que não aceitamos aquilo que somos e, principalmente, a nossa sombra? Temos que saber que não somos aquele ideal de pessoa e que, possivelmente, não seremos nunca, porque o ideal é uma burrice coletiva.
Todo mundo quer ser “destaque”, todo mundo quer ser esperto, todo mundo quer coisas que não pode. Então, por que criar um perfil público contando um monte de mentiras? Porque acreditamos nelas. Cruel, não?! Passamos a vida acreditando sermos uma pessoa que não somos e, quando somos colocados frente a frente com isso, como dói. Daí vem coisas como depressão, pânico e outras mazelas.
Então, antes que cheguemos a este ponto, devemos re-examinar nosso “site” interior e entender quem nós somos de verdade, colocar aquilo que nós somos para todo mundo ver e aceitar e ser, de verdade. Isso pode ser uma tarefa difícil e que vai nos deparar com coisas que não gostamos, mas, com certeza, no final, estaremos com a verdadeira liberdade e com a essência do que somos de verdade.
FONTE:
“Interessante artigo da jovem, bela e inteligente jornalista Isadora Barbosa.
Tímida, estilo “na dela”, Isadora é romântica no sentido da contemplar a vida, acreditar nas pessoas e nas coisas do deste mundo, como as redes sociais, por exemplo.
No artigo abaixo, a garota revela a sua impressão sobre as relações que são construídas a partir da internet via as redes sociais, sempre, claro, expondo o seu romantismo nato e apurado senso crítico.” - Robert Lobato (Blog)

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